I · O Sistema
O Sistema de Práticas:
Suddha Raja Yoga
O sistema de yoga ensinado pelo Suddha Dharma Mandalam é chamado de Suddha Raja Yoga. O termo "Suddha" é utilizado para diferenciar esta prática do Aṣṭāṅga Yoga de Patañjali, popularmente conhecido como Raja Yoga.
- Raja Significa Paramātman — o Eu universal supremo, situado no quarto estado de consciência.
- Yoga Significa Sambhandha (contato) — denota a proximidade com este Eu supremo e universal (Paramātman).
- Suddha Raja Yoga Também conhecido como Adhyatma Yoga — a ciência sagrada que conduz a um contato direto e progressivo com o Paramātman.
I · O Objetivo
O Objetivo
da Realização
O objetivo de toda aspiração humana é o alcance daquele estado supremo de consciência pela realização do Ser ou Ātman dentro de nós mesmos.
Esta realização conduz ao EKA BHĀVA (o conceito de Unidade), onde o discípulo compreende que tudo é e provém de Brahman, e portanto tudo o que existe é absolutamente necessário.
Esta compreensão coordena a vida interior e exterior, permitindo a realização das potencialidades humanas que conduzem a um estado eterno de paz e felicidade.
A Síntese em Três Partes
Esta disciplina do Raja Yoga é a única forma de prática do Yoga composta de três partes: Karma, Dhyana e Bhavana — ação, meditação e concepção — tendo como objetivo principal elevar a consciência à união com a consciência suprema.
II · Disciplina Fundamental
Os Quatro Dharmas
O método do Suddha Raja Yoga inclui a prática de quatro Dharmas fundamentais — as bases éticas e espirituais sobre as quais repousa toda prática ulterior.
I
Ahimsa
Não-Violência
A não-violência em todos os níveis — mental e físico. O cultivo da compaixão e da inofensividade em relação a todos os seres vivos como expressões do único Brahman.
II
Satyavachana
Veracidade
O alinhamento do pensamento, da palavra e da ação com a Verdade — reconhecendo que Satya é uma das expressões mais elevadas e diretas de Brahman na conduta humana.
III
Loka-Kainkarya
Serviço Desinteressado
O serviço desinteressado ao mundo e a todas as formas de vida — compreendendo que a Vida Una permeia toda forma, e que o serviço prestado a qualquer ser é um serviço ao Divino.
IV
Dhyana
Meditação
Uma prática introspectiva que conduz o aspirante ao conhecimento dos aspectos mais profundos da natureza humana — o caminho interior direto ao Paramātman.
III · Os Três Componentes Primários
Bhāvana · Karma · Dhyana
A disciplina do Suddha Raja Yoga é composta de três partes essenciais. Cada uma prepara o discípulo em um nível diferente — concepção mental, ação disciplinada e contemplação direta.
Primeiro Componente
Bhāvana — O Conceito de Unidade
Trata-se de uma prática mental que ajuda o estudante a perceber o conceito de unidade, onde tudo é Brahman, tudo possui a mesma natureza de Brahman, e tudo o que existe é necessário. É o cultivo constante da visão unitária — Eka Bhāva — que sustenta e permeia todas as demais práticas.
Segundo Componente
Karma — Ação e Disciplina
Nos ensinamentos de Suddha, o Karma significa muito mais do que serviço desinteressado; inclui todas as ações que ajudam o discípulo a trilhar o caminho em direção ao Sambhandha (o contato com a Divindade). Inclui os quatro elementos a seguir:
A · Pranayama — Três Níveis
Primeiro Nível
Prakritti Pranayama
Trata exclusivamente de exercícios respiratórios — a regulação fundamental da respiração como veículo do Prana.
Segundo Nível
Atmya Pranayama
Combina exercícios respiratórios com o uso de mantras ou Bijas (sons-semente como Om, Hrim, Srim) — integrando som e respiração.
Terceiro Nível · A Forma Suprema
Suddha Pranayama
Exclusivamente mental — a maneira mais elevada de trabalhar com o Prana (a energia da consciência). Envolve reunir mentalmente todos os pensamentos dispersos, integrá-los no Brahman UNO, manter a mente neste estado de Unidade (laya), e então permitir que reflua à multiplicidade.
B · Mantras e Gayatris
A repetição constante de mantras e Gayatris é essencial. As Gayatris são fórmulas mântricas que expressam conceitos e suas relações com os Bijas. São conhecidas como Yoga Vidya (a ciência do Yoga) e Tattwa Vidya (a ciência dos elementos).
A repetição destas fórmulas místicas conduz o discípulo ao contato com a essência da vida, que é OM. O Pranava OM representa o som mais sublime e poderoso — o absoluto Brahman.
C · Rituais e Cerimônias: Sadhana Vivo
Nossos rituais sagrados são muito mais do que meras observâncias simbólicas. São expressões de um Sadhana Vivo: práticas profundas que alinham o praticante com os ritmos cósmicos, promovendo uma integração profunda e harmoniosa entre a alma humana e o vasto universo.
- Yoga Sandhya — dedicada à saúde física e ao bem-estar espiritual.
- Cerimônias de Lua Cheia — alinhando o praticante com os ritmos cósmicos e lunares a cada mês.
- Adoração do Yantra de Sri Yoga Devi e Bhagavan Mitra Deva — instrumentos geométricos sagrados de invocação e consagração.
D · Dikshas — Iniciações
As Dikshas não são meramente cerimônias simbólicas, mas uma transferência real de poder (tejas) do Mestre ao discípulo. Seu objetivo é ajudar o discípulo a elevar sua consciência a níveis superiores de percepção e realização — uma transmissão viva da força espiritual através da linhagem de Mestres.
Terceiro Componente
Dhyana — Meditação
O Dhyana no Suddha Dharma possui três níveis progressivos, cada um aproximando o discípulo de um contato mais íntimo com o Divino. O objetivo último do Dhyana é o contato com a Divindade em seu aspecto mais transcendente, o Suddha Brahman, conhecido como Suddhatman ou Paramātman.
Primeiro Nível
Saguna Dhyana
Meditação com Forma
Meditação sobre algo que possui qualidades (gunas) e forma — tipicamente sobre o Mestre Divino ou uma Deidade, concentrando-se em suas qualidades. Ao refletir sobre essas qualidades, a mente identifica-se com elas e as torna-se, como uma esponja absorvendo água colorida.
Segundo Nível
Nirguna Dhyana
Meditação sem Forma
O discípulo medita sobre seu Ātman em seu coração, entregando-se a esta presença divina interior — além dos atributos, além da forma, na pura luz da consciência interior.
Terceiro Nível · O Transcendente
Suddha Dhyana
Meditação Transcendente
O discípulo medita sobre Brahman (Deus) como sendo Saguna (com qualidades) e Nirguna (sem qualidades) ao mesmo tempo — fundindo a mente com esta realidade infinita que é o Ātma, a Shakti e a Prakriti, e que está em toda parte.
IV · Prática Avançada
Níveis Superiores de Formação
Embora o sistema acima prepare o discípulo, os seguintes níveis superiores de formação estão disponíveis sempre que o mestre espiritual encontrar o discípulo pronto e digno de recebê-los.
O Papel do Ekākshara
Bheejāksharas — Sons-Semente
A prática começa com o auxílio dos Bheejāksharas (sons-semente). Cada Ātman individual possui uma letra ou som único, conhecido como seu Ekākshara, que corresponde à sua matéria sutil particular (Akasha). A pronúncia correta do Ekākshara coloca o véu Ātmico em vibração, elevando a consciência.
Mātṛikā Yoga
Poorvanga Vyāyāma — O Exercício Preliminar
Esta formação trata da pronúncia correta e da meditação sobre as diversas Mātṛikās (letras do alfabeto sânscrito). Cada letra corresponde a uma vibração específica da matéria sutil e da consciência. Todo o curso se estende tipicamente por um período de sete anos.
Kundalini Yoga
A Ascensão do Fogo Serpentino
Consiste em disciplinas que vitalizam a Kundalini Shakti, estimulando-a a mover-se desde o Mūlādhāra chakra de base através dos demais chakras até alcançar o Sahasrāra — o centro coronal no topo da cabeça — realizando a união entre a consciência individual e a cósmica.
Ātma Yoga
Viśeṣa Dīkṣās — Iniciações Especiais
Este é o estágio seguinte, após o Kundali Yoga. Nesta fase, o discípulo recebe a forma de iniciação Swetaketu e outras Viśeṣa Dīkṣās (iniciações especiais). O discípulo então pratica o Kundali e o Mātṛikā Yoga à luz das novas verdades que lhe foram ensinadas — integrando toda a formação anterior em uma ascensão unificada em direção ao Paramātman.
Para Aprofundar